Turismo volta com mais força, diz Angeli

Turismo volta com mais força, diz Angeli

“A pandemia trouxe a necessidade de estratégia de atendimento para um novo perfil de turista, mas o setor voltará com mais força e pujança”

O secretário de Turismo e Projetos Estratégicos de Foz do Iguaçu, Paulo Angeli, afirma nesta entrevista exclusiva ao GDia que o turismo nos três níveis – nacional, estadual e municipal – tem amargado um ano de pandemia com impactos diretos ao setor e consequentemente redução e manutenção do emprego e também no equilíbrio da economia local. “Hoje, hotéis e atrativos, estão operando com apenas 30% das suas capacidades, também como medida de cautela e prevenção à pandemia”.

“É certo que a pandemia nos trouxe a necessidade de olhar melhor para esse novo perfil de visitantes que estamos recebendo desde o início da pandemia. No momento o turismo regional é o foco, não apenas o rodoviário, pois temos também movimentação no aeroporto, principalmente nos voos diretos de curta distância”.
Angeli diz ainda que é preciso movimentar toda a cadeia de serviços turísticos e neste sentido, vai trabalhar numa campanha, junto ao trade para a ampliação da divulgação nos maiores centros emissários e raio para até 1.000 km. “Estamos aguardando um momento menos crítico na saúde pública do município e do estado, para propor diálogo com as empresas e as entidades do setor. Para ter uma ideia, tivemos uma queda de 45% no número de visitantes de 2019 para 2020, e acreditamos que no segundo semestre deste ano possamos amenizar parte desse impacto”.

“Não temos dúvida que no devido momento, a retomada se dará com toda força, somos um destino multicultural, com diversidade de opções de atrativos”, completa.   Leia a seguir, os principais trechos da entrevista e a sua íntegra no portal www.gdia.com.br”.

GDia – Os hotéis e os atrativos devem continuar abertos durante a pandemia?
Paulo Angeli – A medida de manter os hotéis e atrativos abertos, mesmo que com capacidade reduzida, é com objetivo de contribuir para o equilíbrio da economia da cidade e também em respeito aos turistas que já haviam se programado com antecedência. Hoje, hotéis e atrativos, estão operando com apenas 30% das suas capacidades, também como medida de cautela e prevenção à pandemia. De acordo com a situação dos boletins da saúde municipal, esse percentual pode ser alterado.

Foz já tem um selo de segurança para as empresas do setor receberem os turistas, esta é uma boa alternativa? Deve se perdurar pós pandemia?
Sim, em Foz, hotéis, restaurantes, prestadores de serviço, espaços para eventos e atrativos turísticos receberam o Certificado de Responsabilidade Sanitária e Selo de Ambiente Protegido. Esta foi uma excelente alternativa para gerar mais confiança e segurança aos turistas que optaram por viajar desde o início da pandemia.

Para obter a certificação, os estabelecimentos passaram por um rigoroso processo de visitações e auditorias, coordenadas pelas entidades envolvidas no projeto. Criada para preparar os estabelecimentos para receber turistas de forma segura, a certificação leva em consideração mais de 30 aspectos como a montagem de barreiras sanitárias; disponibilização de álcool em gel 70° em locais estratégicos; fornecimento de uniformes, máscaras e equipamentos de proteção individual para colaboradores; aferição de temperatura de turistas e colaboradores; questionário de monitoramento; funcionamento de passeios com capacidade reduzida, entre outros.

Acreditamos que sim, essa medida deve ser mantida, logicamente com algumas alterações, mesmo após a pandemia, pois acaba qualificando os estabelecimentos.

Já foi apontado que a retomada da atividade deve começar com turismo regional, em 200 quilômetros, cidades de grandes centros paranaenses (Cascavel, Ponta Grossa, Curitiba, Maringá e Londrina). Esse turismo rodoviário é o foco no momento?
É certo que a pandemia nos trouxe a necessidade de olhar melhor para esse novo perfil de visitantes que estamos recebendo desde o início da pandemia. No momento o turismo regional é o foco, não apenas o rodoviário, pois temos também movimentação no aeroporto, principalmente nos voos diretos de curta distância.

Precisamos movimentar toda a cadeia de serviços turísticos da cidade e neste sentido, devemos trabalhar numa campanha, junto ao trade da cidade, com ampliação de raio para até 1.000 km. Estamos aguardando um momento menos crítico na saúde pública do município e do estado, para propor diálogo com as empresas e as entidades do setor. Para ter uma ideia, tivemos uma queda de 45% no número de visitantes de 2019 para 2020, e acreditamos que no segundo semestre deste ano possamos amenizar parte desse impacto.

Como fica o turismo internacional, uma demanda também consistente para o setor de Foz do Iguaçu?
O turismo internacional com foco em outros continentes deverá ficar em stand by, enquanto a vacina para a maioria for uma incógnita e ainda, enquanto não tivermos oferta de voos mais ampla, não temos como justificar investimentos no mercado internacional. Já considerando os países vizinhos e da América Latina, estes sim, já fazem parte do planejamento de curto prazo, quando pudermos voltar a falar em retomada.

Por outro lado, existe dentro do próprio país, uma grande demanda reprimida que, não podendo viajar para fora do país, é uma forte candidata para visitar Foz do Iguaçu. Por esta razão, iremos estender o raio de captação de novos visitantes e também focar em pessoas que, economicamente, não foram tão afetadas.

Também se destaca que os hotéis acima de três estrelas conseguem um fluxo de hospedagem razoável, mas os hotéis de segunda e uma estrela, pousadas, estão em queda, quais são as propostas para incrementar o movimento dos pequenos hotéis?
Os resorts e hotéis de luxo, possuem uma busca maior por conta das suas áreas de lazer oferecerem mais opções aos visitantes. Enquanto poder público, a maior contribuição é continuar trabalhando, com muita responsabilidade e cuidado com as vidas, para que os atrativos continuem abertos e também que as compras no Paraguai continue sendo uma opção de passeio, pois assim conseguimos ofertar diversidade de atrações fora dos hotéis econômicos e das pousadas.  Desde janeiro deste ano, o número de visitação aos atrativos tem se mantido entre 30% a 40% do que houve no primeiro trimestre de 2020.

Os empresários estão muito preocupados, pedem isenção ou prorrogação de impostos, mas quais ações que estão sendo desenvolvidas que podem ajudar os trabalhadores do setor (guias, recepcionistas, camareiras, porteiros, motoristas, cozinheiros, etc)?
Voltado ao resgate socioeconômico e ao fortalecimento do turismo, o programa Foz Conhecendo Foz foi criado para gerar renda para guias e transportadores turísticos e escolares que tiveram suas atividades impactadas pela pandemia da Covid-19. Ao mesmo tempo, proporciona aos moradores de Foz experiências como àquelas que os turistas apreciam ao visitar a cidade. A Itaipu Binacional também lançou a segunda edição do Capacita Guias – Por um destino de excelência, um curso gratuito de capacitação para guias de turismo que atuam em Foz do Iguaçu. São 150 vagas, exclusivas para guias de turismo da cidade, com duração de três meses.

A pasta de turismo também aglutina os projetos especiais. Como está o banco de projetos, quais são eles, também atende os moradores da cidade?
Partimos da premissa que uma cidade só será boa para o turismo, se antes de tudo ela for boa para seus cidadãos. Com isso, reforço que o compromisso do prefeito sempre está voltado aos interesses diretos dos cidadãos. Temos projetos de revitalização de espaços verdes públicos, como áreas de lazer, inicialmente projetadas para a população, que futuramente, podem ser de agrado e uso dos turistas também.

Projetos de diversificação da mobilidade urbana, com o uso das bicicletas como modal do transporte urbano, está diretamente ligado à nossa preocupação com o bem estar dos cidadãos e com o futuro da cidade. Também o gerenciamento do Centro Municipal de Inovação, para atender outro anseio da população, que é a diversificação da economia da cidade. Estamos atuando no desenvolvimento e fortalecimento do ecossistema de inovação de Foz do Iguaçu, buscando criar mais oportunidades dentro dos mais diversos tipos de negócios da economia criativa. Estamos priorizando iniciativas que estejam alinhadas com a cultura do nosso município, sempre através de negócios que valorizem e tenham a sustentabilidade como princípio. Importante salientar que todos os projetos do município atuam em consonância para atender os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

As grandes obras de infraestrutura (segunda ponte, reforma e ampliação do aeroporto, duplicação da avenida das cataratas, perimetral) devem ser entregues até 2022, como está essa parceria com a binacional. Há novos projetos?_
A Itaipu Binacional continua sendo uma grande parceira do município. Todas essas obras estão alinhadas com o programa Acelera Foz, que é parte de um plano de retomada econômica de Foz do Iguaçu e tem a coordenação estratégica do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Foz do Iguaçu (Codefoz), Itaipu Binacional, Parque Tecnológico Itaipu (PTI), Prefeitura de Foz, Sebrae, Programa Oeste em Desenvolvimento,Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu (Acifi) e Conselho Municipal de Turismo (Comtur).

O general Joaquim Silva e Luna, diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, será agraciado com a Ordem das Cataratas, denominada de Grã-Cruz, pela relevância dos serviços prestados à Foz do Iguaçu. A entrega da condecoração ainda não tem data marcada e vai depender da agenda de Silva e Luna e do prefeito. Existem outros projetos em andamento, como por exemplo o “Bairro Inteligente” que está sendo testado na Vila A. Tudo o que for positivo e funcionar bem deverá ser replicado para toda a cidade. Transformando assim Foz do Iguaçu em uma “Cidade Inteligente”.

Os atrativos turísticos, é claro, tiveram uma queda de visitação, mas continuam investindo na área – Aquaplay, novos hotéis, lojas free shop – é a certeza que atividade será retomada com força?
Não temos dúvida que no devido momento, a retomada se dará com toda força, somos um destino multicultural, com diversidade de opções de atrativos e como você mesmo citou, ainda que em tempos de pandemia tivemos novos atrativos sendo inaugurados e temos sido consultados sobre a possibilidade de mais novidades.  Aquário será o novo atrativo turístico de Foz do Iguaçu. Com investimento de cerca de R$ 100 milhões da iniciativa privada, o aquário atuará como um centro de educação, pesquisa e conservação dos ecossistemas das bacias dos rios Paraná e Iguaçu. O atrativo será concluído em 2023, com a criação de até 300 empregos diretos.

Paulo Angeli por Angeli
Em primeiro lugar, empresário e apaixonado por esta terra das cataratas. Esta é minha primeira experiência como gestor público. Sou o criador e organizador do Festival das Cataratas, desde 2005. Vale ressaltar que este, é o principal evento fixo de Foz do Iguaçu e, um dos maiores do turismo nacional. Bacharel em Marketing, possuo MBA em Administração e Marketing e duas especializações pela Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC: Segmentação do Turismo e Gestão Pública do Turismo. Além disso, tenho vasta trajetória no segmento do turismo, tendo exercido recentemente o cargo de presidente do Conselho Municipal de Turismo, e atualmente o de vice-presidente da seccional paranaense da Associação Brasileira de Empresas de Eventos e presidente fundador do Instituto para o Desenvolvimento do Turismo, Cultura, Esporte e Meio Ambiente, bem como sou membro do Conselho Estadual de Turismo.

A pandemia impactou de forma abrupta o setor turístico e seus subsetores, estamos confiantes e acreditando que esse novo perfil turístico evidenciado pelo turismo regional pode amenizar, a curto prazo, esses impactos

“Existe dentro do próprio país, uma grande demanda reprimida que, não podendo viajar para fora do país, é uma forte candidata para visitar Foz do Iguaçu”

“O programa Foz Conhecendo Foz foi criado para gerar renda para guias e transportadores turísticos e escolares que tiveram suas atividades impactadas pela pandemia da Covid-19”

_”Temos projetos de revitalização de espaços verdes públicos, como áreas de lazer, inicialmente projetadas para a população, que futuramente, podem ser de agrado e uso dos turistas também” _