Curitiba espera fim de ano com movimento turístico igual ao da pré-pandemia

Após um ano e oito meses de pandemia, a população brasileira finalmente vivencia um movimento de relaxamento das medidas restritivas para enfrentamento da crise sanitária com o avançar da vacinação contra a Covid-19 e a melhora nos índices sanitários, com queda no número de casos novos, óbitos e na taxa de ocupação de leitos hospitalares. Em Curitiba, esse movimento de retomada da atividade econômica e social já traz reflexos positivos para o setor turístico, especialmente para o segmento do turismo de lazer, que tem boa expectativa com relação ao final de ano.

Presidente do Instituto Municipal de Turismo, Tatiana Turra recorda que a capital paranaense já vinha, antes da pandemia, apresentando bons resultados. Em 2018, por exemplo, a cidade recebeu 92,2 mil turistas no final de ano, número que saltou para 106 mil (aumento de 15%) em 2019, último ano antes da pandemia. Já consolidado como um dos principais destinos no roteiro nacional natalino e com programação reforçada com o “Natal de Curitiba – Luz dos Pinhais 2021” (que contará com 53 dias de atrações), o município agora espera conseguir, pelo menos, repetir o número de visitantes registrado antes da pandemia.

“Queremos chegar aos números de 2019 [em 2021], estamos trabalhando para isso. Pelo que estamos acompanhando, devemos chegar [à marca de 106 mil turistas visitando a cidade no final de ano]”, afirma Turra, citando ainda que os feriados, que servem como termômetro para a alta temporada turística, já trazem bons indicativos sobre o futuro. “Já observamos um crescimento, uma certa retomada. Últimos feriados tivemos uma movimentação perto da normalidade e queremos mais, queremos que a atividade volte a funcionar na plenitude, para gente até superar os números de 2019”.

Essa retomada mais acelerada do turismo de lazer, inclusive, tem provocado um movimento inédito na cidade. Referência no segmento M.I.C.E. (sigla em inglês para eventos como reuniões, incentivos, congressos e exposições), que engloba o turismo de eventos e o turismo corporativo, Curitiba costumava registrar, em tempos pré-pandêmicos, uma taxa de ocupação nos hotéis maior durante a semana. Agora, segundo Paulo Iglesias, presidente do Curitiba e Região Convention & Visitors Bureau (CCVB), está acontecendo o inverso, com o setor hoteleiro tendo maior procura aos finais de semana.

“O que acontece hoje em Curitiba é que estamos com os hotéis mais cheios em finais de semana e em feriados do que em dia de semana. É algo inédito, nunca aconteceu”, afirma Iglesias, reforçando, também, que o turismo de lazer na capital paranaense vem aumentando ano a ano e de forma considerável. “A gente imagina que vai ter bastante procura pro final do ano, para janeiro. Sentimos que o pessoal quer viajar, vai viajar. Imaginamos que nas férias vai ter uma ocupação boa, talvez na casa de uns 60, 60 e poucos [porcento, a taxa de ocupação], acima do que costumamos registrar nessa época, que fica em torno de 50, 50 e poucos por cento”, finaliza.

‘Se tudo correr bem, 2022 vai ser um ano bacana’

De acordo com Paulo Iglesias, presidente do CCVB, enquanto o turismo de lazer cresce, o segmento corporativo e de eventos segue numa retomada em ritmo mais lento. Uma situação conhecida e reconhecida também pela seccional paranaense da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC-PR), que espera, contudo, uma melhora no cenário para os próximos meses – a estimativa é que o setor, ao longo da pandemia, tenha acumulado perdas, na economia do Paraná, que chegam próximo de R$ 25 bilhões.

“O setor dos congressos, das feiras técnicas e dos eventos corporativos realmente está um pouco mais lento na questão da retomada, mas isso já era esperado por nós, sabendo que as empresas já tinham fechado o budget até dezembro pensando num cenário para 2022”, afirma Fabio Skraba, presidente da ABEOC-PR, citando ainda que o segmento social (que envolve casamentos, formaturas e festas de debutantes, por exemplo) já está mais aquecido.

“As ações do ano que vem, para o segmento M.I.C.E., estão um pouco melhores, visualizamos um calendário sendo retomado pro segmento corporativo e isso vai refletir diretamente na hotelaria. No segmento social, as coisas já melhoraram um pouco mais, já está mais aquecido”, diz ele, mostrando-se ainda otimista com relação ao próximo ano. “Se tudo correr bem, vai ser um ano bacana, um ano bom pro segmento de eventos”.

Nova variante é a maior incerteza

Apesar de tantos relatos positivos sobre a retomada da atividade turística, a pandemia do novo coronavírus ainda não acabou e todos deve manter as medidas preventivas, evitando aglomerações, utilizando máscaras e reforçando a higiene. Tal alerta é importante, ainda mais diante do surgimento de uma nova variante do coronavírus, a ômicron, que representa um risco muito elevado.

Até o momento, a nova variante, também chamada de B.1.1529, apresenta indícios de que poderia facilitar a reinfecção pela Covid-19. Ela apresenta mais de 30 mutações na proteína ‘spike’, considerada a ‘chave’ para que o vírus entre nas células e que é o alvo da maioria dos imunizantes criados até aqui. Ainda não se sabe, contudo, se a ômicron é, de fato, mais transmissível ou se ela causa sintomas mais graves e mortes.

Fonte: https://www.panoramadoturismo.com.br/destaques/festival-das-cataratas-celebra-retomada-do-turismo